Entrevista a Mário Ferreira da Silva
Área: Escultura
1. O que despertou o seu interesse pela arte, especialmente pela escultura?
A ”arte” é o sonho que desperta o imaginário. A”arte” é o mais elástico e mutável dos conceitos que se retém nos canais da nossa memória. A “arte” varia segundo o tempo, o espaço, a sociedade, o indivíduo. Cada período [cada tempo-lugar] tem o seu modo próprio de criar arte. O SONHO e o IMAGINARIO – foram o meu ponto de partida para uma relação estética com o fazer artístico, O TEMPO e o LUGAR - o meu encontro com a forma na bi e tri dimensionalidade – com a Escultura. O sítio gaiense, com seus restos de um tempo CERÂMICO, foi o motivo para a minha sedução pela matéria cerâmica como meio de expressão plástica. Ainda a cerâmica, porque sendo matéria milenária moldável e historicamente ligada a primeira transformação de sinterização por acção do calor, produzida pelo homem, é, também, um meio de expressão artística que contempla duas das mais importantes componentes da arte - a PINTURA e a ESCULTURA.
2. Obteve formação em algum estabelecimento de ensino?
Sim. Numa primeira fase, desenvolveu-se numa área de formação tecnológica, tendo como objectivo o desenho industrial, formação um pouco semelhante á que hoje é designada por DESIGN.
Posteriormente estudei cerâmica artística. Na sequência do meu trabalho na área da cerâmica, foi-me concedido pela Fundaçâo Gulbenkian uma bolsa de estudo para Itália, onde estudei a arte e tecnologia cerâmica nas vertentes de escultura na bi e tri dimensionalidade, no Instituto de Arte Cerâmica Gaetano Bellardini, em Faenza e frequentei um curso de escultura em Perugia.
3. Sabemos que expõe variadíssimas vezes na Casa Museu Teixeira Lopes; Como ocorreu essa proximidade para com a instituição?
Depois de ter realizado várias exposições, individuais e colectivas, no País e no estrangeiro e ter sido contemplado com diversos prémios e distinções, sou convidado para expor na cidade onde nasci e num espaço onde se respira o tempo e a obra dos mais representativos artistas - grandes mestres da escultura portuguesa. Desde então, seguiram-se outras exposições e uma muito interessante colaboração.
4. Qual a exposição que considerou mais marcante ao longo do seu percurso ?
As exposições são sempre momentos marcantes na vida de um artista. São digamos, o tempo de julgamento do que foi produzido, é o encontro com o publico. Porque são também e normalmente a apresentação de novas fases da actividade, criativa ou mesmo temática, todas as exposições são por isso, momentos marcantes na actividade dos artistas.
5. Quais os artistas que mais o influenciaram?
Henry Moore, escultor inglês do século XX, Rodin, escultor século XIX, Van Gogh, pintor francês século XIX, Nino Caruso, ceramista e designer italiano século XXI.
Grupo,
02/06/2011
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